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Teste de insônia (ISI): o que a pontuação indica e o que ela não diagnostica

Antes de qualquer número: o teste de insônia ISI é rastreio, não diagnóstico. O Índice de Gravidade da Insônia soma sete dimensões numa escala de 0 a 28. As...

Equipe Pratimed11 de setembro de 202611 min de leitura
Teste de insônia (ISI): o que a pontuação indica e o que ela não diagnostica
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Antes de qualquer número: o teste de insônia ISI é rastreio, não diagnóstico. O Índice de Gravidade da Insônia soma sete dimensões numa escala de 0 a 28. As faixas (0–7, 8–14, 15–21, 22–28) descrevem gravidade percebida. Não fecham transtorno de insônia, não excluem apneia e não substituem avaliação. Ronco alto, pausas na respiração ou sonolência que vence o dia pedem médico — não um questionário.


Resumo direto

  • O ISI tem 7 dimensões, cada uma de 0 a 4. Total 0 a 28.
  • Faixas de Morin e colaboradores (2011): 0–7 sem insônia clinicamente significativa · 8–14 sublimiar · 15–21 moderada · 22–28 grave.
  • Em amostra comunitária, o corte 10 teve 86,1% de sensibilidade e 87,7% de especificidade para detectar casos. Em amostra clínica, o corte 11 se saiu melhor.
  • Faixa é rótulo de gravidade percebida. Não é diagnóstico.
  • Ronco, pausas respiratórias e sonolência diurna excessiva pedem avaliação médica por suspeita de apneia.
  • Para insônia crônica, as diretrizes colocam a TCC-I como conduta de primeira linha — antes do remédio para dormir.
  • Este texto não reproduz o questionário oficial item a item. O instrumento é protegido por direitos autorais.

Sumário


Aviso de rastreio

O ISI nasceu no trabalho de Charles Morin como medida breve de gravidade e de resposta a tratamento. A janela usual de recordação é o último mês (algumas aplicações usam as últimas duas semanas). Cada item vai de 0 a 4. A soma vai de 0 a 28.

O que ele faz: organiza o que você já sente — iniciar o sono, mantê-lo, acordar cedo, satisfação, prejuízo diurno, o quanto os outros notam, o quanto isso angustia.

O que ele não faz: distinguir insônia de apneia, de dor crônica, de trabalho em turno, de um episódio depressivo, de ansiedade noturna. Não autoriza começar, trocar ou parar hipnótico. Não substitui entrevista.

O formulário oficial é de Charles Morin e é distribuído sob licença. Por isso esta página descreve dimensões e faixas publicadas e não copia o questionário palavra por palavra. Se um profissional aplicar o ISI com você, ele usa a versão autorizada.

Se o sono virou sofrimento, o número é o começo da conversa. A conversa em si está em Insônia: causas, sintomas, tratamento e como dormir melhor.


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O que o ISI mede nas 7 dimensões

Sete eixos, sem o texto oficial de cada pergunta:

  1. Dificuldade para pegar no sono — quanto custa iniciar a noite.
  2. Dificuldade para manter o sono — despertares no meio da madrugada.
  3. Acordar cedo demais — terminar a noite antes da hora, sem conseguir voltar.
  4. Satisfação com o padrão atual de sono — a leitura subjetiva da noite, não o relógio.
  5. Interferência no funcionamento diurno — trabalho, humor, concentração, relações.
  6. O quanto o problema é perceptível a outras pessoas — o olhar de fora sobre o prejuízo.
  7. Angústia ou preocupação causada pela dificuldade de dormir — o sofrimento em torno do sono, não só as horas.

Cada eixo recebe um valor de 0 a 4. Some os sete. Não há peso diferente por item.

Repare no desenho: três eixos são noturnos (iniciar, manter, acordar cedo) e quatro são sobre impacto e sofrimento. Por isso alguém que "dorme cinco horas e funciona" pode pontuar diferente de alguém que dorme sete e passa o dia aterrorizado com a próxima noite. O ISI mede gravidade percebida, não horas no relógio.

Há também cortes de case-finding no paper de 2011, distintos das quatro faixas descritivas: 10 na comunidade (86,1% de sensibilidade, 87,7% de especificidade) e 11 na amostra clínica. Em atenção primária, outro grupo encontrou equilíbrio melhor perto de 14. Ou seja: até o corte "para investigar" muda conforme a população. Mais um motivo para não transformar o seu número em laudo.


O que cada faixa indica

As faixas abaixo são as publicadas por Morin, Belleville, Bélanger e Ivers em Sleep, 2011. São rótulos de gravidade na escala, não regras diagnósticas.

PontuaçãoRótulo publicadoO que isso éO que isso não é
0 a 7Sem insônia clinicamente significativa na escalaPoucos sintomas relatados no períodoGarantia de que o sono está saudável
8 a 14Insônia sublimiarSintomas presentes, abaixo do que o instrumento chama de clínico"Não é nada"
15 a 21Insônia clínica moderadaGravidade percebida na faixa média-altaDiagnóstico de transtorno de insônia
22 a 28Insônia clínica graveSofrimento e prejuízo altos na autoavaliaçãoIndicação automática de remédio

O próprio paper trata essas bandas como interpretação do total, e trata os cortes 10 e 11 como ferramenta de rastreio em amostras específicas. São camadas diferentes. Sites que transformam 15 em "você tem insônia grave" estão colapsando as duas.

Uma queda de cerca de 8 pontos no total foi o que o estudo de 2011 associou a melhora moderada percebida. Isso é dado de pesquisa, não meta pessoal. Acompanhar o seu número ao longo das semanas, com o mesmo profissional, informa mais do que um print isolado.


Conduta razoável por faixa

Nenhuma faixa autoriza tratamento por conta própria. A conduta é sempre "o que fazer com a informação", não "o que tomar".

0 a 7. O número não pede investigação por si. Se você está sofrendo mesmo assim — medo de dormir, pânico na cama, noites boas e dias ruins — o sofrimento vale mais que a escala. Leve a queixa, não o escore.

8 a 14. Observe por algumas semanas: horário de deitar, cafeína, telas, álcool, turno, dor. Se persistir ou se o dia estiver comprometido, procure avaliação. Medidas de suporte (horário estável, não compensar a noite no sofá) ajudam parte das pessoas e não substituem tratamento se o quadro já for crônico.

15 a 21. Procure avaliação. Se a insônia dura três meses ou mais, com prejuízo diurno, a conduta de primeira linha nas diretrizes é TCC-I, não um hipnótico de balcão. Médico entra se houver suspeita de outra doença do sono, se já houver remédio em uso ou se o corpo estiver assustando.

22 a 28. Procure avaliação com mais prioridade. Gravidade alta na escala é sofrimento alto, não sentença. Continua sem ser diagnóstico — e continua sem ser licença para aumentar dose de "calmante" sozinho.

Em qualquer faixa, se o item de angústia vier junto com pensamento de morte: CVV 188. SAMU 192 em risco imediato. Nenhuma pontuação precisa ser esperada para pedir ajuda.


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O que o número não diagnostica

Três razões, sem rodeio.

1. Faltam os critérios do transtorno. O DSM-5-TR pede frequência, duração, oportunidade adequada de sono e prejuízo. O ISI não pergunta se você teve tempo de dormir, se o quarto era barulhento, se o plantão acabou às 6h. Sem isso, não há transtorno de insônia — há queixa.

2. Outras doenças do sono pontuam alto. Apneia, síndrome das pernas inquietas, trabalho em turno, dor, hipertireoidismo, depressão, ciclo de ansiedade e insônia. O instrumento não separa.

3. Autoaplicação infla certeza. Preencher sozinho, à 1h da manhã, depois da terceira noite ruim, produz um número de estado, não de traço. Repetir daqui a duas semanas, em horário decente, muda o retrato.

Por isso o título deste post diz o que a pontuação não diagnostica. A mesma lógica do GAD-7 e do PHQ-9: rastreio sinaliza conversa. Entrevista fecha, ou não fecha, o quadro.


Triagem que o teste online não faz: apneia

Nenhum ISI substitui três perguntas que deveriam vir antes de encaminhar alguém para terapia de insônia:

  • Você (ou quem dorme ao lado) descreve ronco habitual e alto?
  • Alguém já viu pausas na respiração durante o sono — você "desliga" e volta engasgando?
  • Você tem sonolência diurna que vence o almoço, a direção, a reunião da tarde?

Se a resposta for sim em qualquer uma, o próximo profissional é médico. Apneia do sono não se trata com restrição de sono de TCC-I sem avaliação. A restrição de sono, aliás, tem contraindicações — e dirigir com sono não tratado é uma delas.

Outros sinais que também pedem médico, não escala: acordar com dor de cabeça, pressão alta de difícil controle, pescoço largo com ronco, queda do rendimento que parece "preguiça" e é falta de ar à noite. Você não mede o próprio pescoço para se diagnosticar. Você leva a descrição ao consultório.

O ISI pode até ficar alto na apneia, porque a pessoa acorda várias vezes e chega destruída ao dia. Tratar a insônia "pura" nesse caso é tratar o ramal errado.


Quando a conduta é TCC-I

Se a avaliação concluir insônia crônica — noites ruins por três meses ou mais, com prejuízo, e com oportunidade de sono — as diretrizes não começam pelo comprimido.

A Associação Brasileira do Sono, em 2023, classificou a TCC-I como padrão-ouro, com 100% de consenso na primeira rodada. A academia americana de medicina do sono deu a ela a única recomendação forte da diretriz de 2021. O colégio americano de médicos recomenda que todo adulto com insônia crônica a receba como tratamento inicial.

O protocolo, por dentro — as 4 a 8 sessões, a janela de sono, por que piora antes de melhorar — está em TCC-I: o tratamento de primeira linha para insônia crônica. Não é higiene do sono. Não é autoaplicável. Tem contraindicação.

Como começar. Descreva o padrão (iniciar, manter, acordar cedo), o tempo de queixa, o que já tentou e os sinais de apneia. A primeira sessão online não exige que você leve um escore. Se tiver um, leve como informação, com a frase pronta: "é rastreio, não diagnóstico."


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Perguntas frequentes

O que significa minha pontuação no ISI?

A soma vai de 0 a 28. As faixas publicadas são 0–7 (sem insônia clinicamente significativa na escala), 8–14 (sublimiar), 15–21 (moderada) e 22–28 (grave). Elas descrevem gravidade percebida. Não fecham diagnóstico de transtorno de insônia.

O ISI diagnostica insônia?

Não. É instrumento de rastreio. Faltam duração, frequência, oportunidade de sono e exclusão de outras doenças do sono. Em 2011, o corte 10 na comunidade teve 86,1% de sensibilidade — útil para sinalizar avaliação, inútil como laudo.

Pontuei 18. Preciso de remédio para dormir?

Essa conclusão uma escala não permite. Em insônia crônica, as diretrizes colocam a TCC-I como primeira linha. Quem prescreve hipnótico é médico, por tempo limitado, depois de avaliar o que mais pode estar no quadro — inclusive apneia.

Posso preencher o questionário oficial da internet?

O formulário é protegido por direitos autorais e distribuído sob licença. Esta página descreve o que o instrumento mede e as faixas publicadas, de propósito, sem copiar os itens. Aplicação profissional usa a versão autorizada.

Ronco e pausas na respiração entram no ISI?

Não como eixos próprios. O ISI pergunta sobre o sono e o prejuízo, não sobre apneia. Ronco habitual, pausas testemunhadas e sonolência diurna excessiva pedem médico, qualquer que seja o seu total na escala.

Posso repetir o ISI para ver se melhorei?

Sim, como acompanhamento — de preferência com o mesmo profissional, nas mesmas condições. Uma redução da ordem de 8 pontos foi associada, no estudo de 2011, a melhora moderada percebida. Um print isolado de madrugada informa pouco.


Leia também


Fontes: Morin CM, Belleville G, Bélanger L, Ivers H. The Insomnia Severity Index: psychometric indicators to detect insomnia cases and evaluate treatment response. Sleep. 2011;34(5):601-608 · Gagnon C et al., validação do ISI em atenção primária, J Am Board Fam Med 2013 · Associação Brasileira do Sono — diretriz de insônia, 2023 · American Academy of Sleep Medicine, 2021 · American College of Physicians, 2016 · DSM-5-TR, transtorno de insônia.

Este conteúdo é informativo, é rastreio e não fecha diagnóstico. Em sofrimento intenso, CVV 188 (telefone, 24h) · CAPS · Emergência, SAMU 192.

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