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Trauma e luto

Pensamentos suicidas: onde buscar ajuda agora (CVV 188, CAPS, SAMU 192)

Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue 188 agora. É o CVV. A ligação é gratuita, de qualquer telefone, e o atendimento por telefone funciona 24...

Equipe Pratimed22 de agosto de 20269 min de leitura
Pensamentos suicidas: onde buscar ajuda agora
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Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue 188 agora. É o CVV. A ligação é gratuita, de qualquer telefone, e o atendimento por telefone funciona 24 horas, todos os dias.

Se preferir não falar, o CVV também atende por chat e por e-mail em apoioemocional@cvv.org.br. Um detalhe que quase nenhum site informa e que importa quando você mais precisa: o chat não funciona 24 horas. Ele opera aos domingos das 15h à meia-noite, de segunda a sexta das 8h à meia-noite, e aos sábados das 13h à meia-noite. Só o telefone é ininterrupto.

O resto do texto é para depois — ou para quem está acompanhando alguém.


Onde ligar, com os horários reais

ServiçoNúmeroQuando funcionaPara quê
CVV18824h, todos os dias (telefone)Apoio emocional e prevenção do suicídio
CVV chatsite cvv.org.brDom 15h–00h · Seg a sex 8h–00h · Sáb 13h–00hMesma escuta, por escrito
SAMU19224h, 7 diasEmergência. Tentativa de suicídio é indicação expressa
CAPSdo municípioPorta aberta, sem agendamentoCrise e acompanhamento
CAPS III / CAPS AD IIIdo município24h, incluindo fins de semanaAcolhimento noturno
UPA 24h / pronto-socorro24hEmergência clínica

Sobre o CAPS: funciona em regime de porta aberta — não é preciso marcar consulta nem ter encaminhamento para o primeiro acolhimento, e o acesso é gratuito pelo SUS. Mas atenção a um limite prático: só os CAPS III e CAPS AD III funcionam 24 horas, e eles existem apenas em municípios acima de 150 mil habitantes. Em cidade menor, o caminho noturno é o SAMU ou a UPA.

Sobre o SAMU: a orientação oficial lista tentativas de suicídio entre as situações em que o 192 deve ser chamado. A ligação é gratuita de fixo e celular.


Sumário


O que fazer nas próximas horas

Se o risco é agora, a ordem é esta:

1. Não fique sozinho. Ligue para alguém e diga onde você está. Não precisa explicar tudo — "estou muito mal, pode vir?" basta.

2. Afaste os meios. Entregue a alguém o que você pensou em usar. Medicamento, arma, o que for. Essa distância física tem efeito real: boa parte das crises agudas dura pouco, e criar obstáculo entre o impulso e o meio salva vidas.

3. Ligue 188 enquanto espera. É gratuito e funciona agora.

4. Se houver plano definido ou tentativa em curso, chame 192 ou vá ao pronto-socorro. Não dirija.

5. Adie qualquer decisão. Você não precisa resolver nada hoje. Só precisa atravessar hoje.

Uma coisa que ajuda saber: a Organização Mundial da Saúde registra que quem pensa em suicídio costuma estar ambivalente — não decidido a morrer — e que o risco agudo costuma durar pouco tempo. Atravessar o momento junto tem valor concreto.


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Se é alguém próximo

Pergunte diretamente. "Você está pensando em tirar a própria vida?" Sem eufemismo, sem "fazer besteira". A vagueza permite desconversar.

Não deixe a pessoa sozinha. Retire acesso a meios. Acione ajuda junto com ela.

Não prometa segredo. Se houver risco, você vai precisar envolver outras pessoas — e é melhor não ter prometido o contrário.

Leve a sério toda menção. A OMS trata como mito tanto "falar sobre suicídio incentiva" quanto "quem fala não faz".

Você não precisa de autorização para buscar ajuda diante de risco à vida. Levar ao pronto-socorro é conduta adequada.


O que a evidência mostra sobre falar do assunto

Esta é a dúvida que mais trava quem quer ajudar, e a resposta tem base sólida.

Uma revisão publicada na Psychological Medicine analisou a literatura sobre perguntar diretamente a alguém se está pensando em suicídio e não encontrou nenhum estudo com aumento estatisticamente significativo de ideação suicida. Uma metanálise de 18 estudos foi além: encontrou pequena redução da ideação e menor chance de comportamento suicida entre quem foi perguntado.

A OMS classifica como mito a ideia de que falar sobre suicídio incentiva o suicídio — e registra que falar abertamente pode dar à pessoa outras opções ou o tempo para repensar.

Perguntar não planta a ideia. Perguntar abre a porta.


Os números no Brasil

Dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde:

  • 15.507 suicídios em 2021, sendo 77,8% no sexo masculino.
  • As taxas subiram 42% entre 2010 e 2021 — de 5,2 para 7,5 por 100 mil habitantes —, com o aumento mais acentuado entre 2020 e 2021.
  • O boletim traduz o dado como uma morte a cada 34 minutos.
  • É a 27ª causa de morte no país, mas a 3ª maior entre adolescentes de 15 a 19 anos e a 4ª entre 20 e 29 anos.

A distribuição por idade e sexo é assimétrica. Entre homens, as taxas crescem com a idade e atingem o pico acima dos 70 anos, com 18,1 por 100 mil. Entre mulheres, o risco é mais alto na adolescência, entre 15 e 19 anos, com 4,5 por 100 mil.


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A inversão entre tentativas e mortes

Este é o dado que mais reorganiza a compreensão do problema, e ele quase nunca é publicado.

Em 2021 foram notificados 114.159 casos de violência autoprovocada no sistema de notificação — e 70,3% ocorreram no sexo feminino.

Ou seja: nas notificações, 7 em cada 10 são mulheres. Nos óbitos, quase 8 em cada 10 são homens. É uma inversão exata.

O próprio boletim do Ministério da Saúde explica: mulheres têm mais ideação, planejamento e tentativas; homens têm risco 2 a 4 vezes maior de morrer por suicídio, porque usam meios de maior letalidade — e cerca de 60% morrem na primeira tentativa.

As duas leituras que decorrem disso, e que importam:

Para mulheres: tentativa não é "chamar atenção". É o principal fator de risco conhecido para uma morte futura, e exige acompanhamento.

Para homens: a ausência de tentativas anteriores não significa ausência de risco. Frequentemente não há um aviso prévio na forma de tentativa — o que torna qualquer sinal verbal ainda mais importante de levar a sério.


O que a lei garante

A Lei 13.819, de 26 de abril de 2019, instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.

O que ela estabelece:

  • Notificação compulsória de casos suspeitos ou confirmados de violência autoprovocada: estabelecimentos de saúde notificam às autoridades sanitárias, e estabelecimentos de ensino notificam ao conselho tutelar.
  • A lei define violência autoprovocada como suicídio consumado, tentativa de suicídio e ato de automutilação, com ou sem ideação suicida.
  • A notificação tem caráter sigiloso por força de lei, e quem a recebe é obrigado a manter o sigilo.
  • Obriga o poder público a manter serviço telefônico gratuito e sigiloso para pessoas em sofrimento psíquico, com ampla divulgação.
  • Alterou a lei dos planos de saúde para obrigar a cobertura de atendimento à violência autoprovocada e às tentativas de suicídio.

Uma precisão que quase todo conteúdo erra: o texto da Lei 13.819/2019 não estabelece prazo de 24 horas para a notificação. O art. 6º e seus parágrafos, lidos na íntegra, não trazem prazo. O prazo de 24 horas que se costuma citar aparece na Lista Nacional de Notificação Compulsória — outra norma.

A lei foi ampliada depois: em 2023 passou a prever recorte específico para prevenção do suicídio entre carreiras policiais, e em 2025 incluiu pessoas psicossocialmente mais vulneráveis, além de estender a notificação a outros estabelecimentos.


Perguntas frequentes

O CVV funciona 24 horas?

O telefone 188 funciona 24 horas, todos os dias, com ligação gratuita. O chat não funciona 24 horas: opera aos domingos das 15h à meia-noite, de segunda a sexta das 8h à meia-noite, e aos sábados das 13h à meia-noite. Há também atendimento por e-mail em apoioemocional@cvv.org.br.

Preciso de encaminhamento para ir ao CAPS?

Não. Os CAPS funcionam em regime de porta aberta: não é preciso marcar consulta nem ter encaminhamento para o primeiro acolhimento, e o acesso é gratuito pelo SUS. Só os CAPS III e CAPS AD III funcionam 24 horas, e existem apenas em municípios acima de 150 mil habitantes.

Posso chamar o SAMU para tentativa de suicídio?

Sim. A orientação oficial do SAMU lista expressamente tentativas de suicídio entre as situações em que o 192 deve ser acionado. A ligação é gratuita de telefone fixo e celular, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Perguntar sobre suicídio aumenta o risco?

Não. Uma revisão na Psychological Medicine não encontrou nenhum estudo com aumento estatisticamente significativo de ideação em quem foi perguntado, e uma metanálise de 18 estudos encontrou pequena redução da ideação e menor chance de comportamento suicida. A OMS classifica a ideia contrária como mito.

Homens ou mulheres têm mais risco?

Depende do desfecho. Em 2021, 70,3% das notificações de violência autoprovocada no Brasil foram de mulheres, mas 77,8% dos óbitos por suicídio foram de homens. Homens têm risco 2 a 4 vezes maior de morrer, por usarem meios de maior letalidade — cerca de 60% morrem na primeira tentativa.

O atendimento é obrigatoriamente coberto pelo plano de saúde?

A Lei 13.819/2019 alterou a lei dos planos de saúde para obrigar a cobertura de atendimento à violência autoprovocada e às tentativas de suicídio.


Quer entender melhor seus padrões?

Um psicólogo pode te ajudar a transformar autoconhecimento em mudança prática.

Leia também


Fontes: Centro de Valorização da Vida (CVV), site oficial · Ministério da Saúde — Boletim Epidemiológico Vol. 55, nº 04; RAPS/CAPS; SAMU 192 · Lei nº 13.819/2019 e alterações (Leis 14.531/2023, 15.231/2025 e 15.232/2025) · OPAS/OMS, Prevenção do suicídio: manual para profissionais da mídia, 2023 · Dazzi T et al., Psychological Medicine 2014;44(16).

Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento. Se há risco agora: CVV 188 (telefone, 24h) · SAMU 192 · CAPS do seu município, sem agendamento.

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